Segunda-feira, Agosto 17, 2009

Felipe

Sexta-feira, Maio 01, 2009

Coisas da doce vida campestre





O dia no sítio ontem foi típico: quase passei mais tempo ao volante da Saveirinho do que fazendo qualquer outra coisa. Fui a Porto e voltei com 500 kg de farelos e adubos, além de um feixe de balancins para a cerca da divisa. Um feixe com respeitáveis 30 kg, diga-se. Dizem que a pickupinha suporta 600 kg, é o que dizem. Mas a minha é meio velha, os pneus traseiros, descobri anteontem, além de velhinhos não são os indicados para ela, e mais isso e mais aquilo... Parei na estrada, peguei um saco de adubo na carroceria e coloquei no chão em frente ao banco do passageiro. Peguei outro saco, este de sal mineral, com apenas 30 kg, e coloquei no banco do passageiro. Aliviei a caçamba em 80 kg e toquei pro sítio. Coisas da vida e os pneus agüentaram direitinho.

Vê uma coisa, faz outra, isso e aquilo, era hora de ir até Santa Rita do Passa Quatro.

A vida no sítio é intimamente ligada à cidade, especialmente quando você tem que fazer alguma “obrinha” na propriedade. Um ranchinho sem custo, de repente já custou 800 reais. Coisas da vida e a conta bancária ainda agüenta. Ainda...

Na volta da cidade, com a caçamba carregada de fardos de feno – finalmente uma boa compra, pois o fardo ainda está a caros 6,50, mas esses fardos estão pesados de verdade, com 17 kg cada um, na média, e não demora muito estarão a 8 reais com apenas 10, 11 ou, com sorte, 12 kg – parei num vizinho que está colhendo milho. Não tenho onde estocar, infelizmente, mas assim mesmo comprei 600 kg. O preço, como diria o ministro do imexível, é imperdível. Falando em imexível: ao digitar a palavra, o corretor ortográfico simplesmente aceitou-a. Antigamente rejeitava, mas por erro dele, não do ministro, que também acertou por mero acaso. Outra curiosidade: o Houaiss data sua aparição como circa 1990. O ministro, vítima sofrida de todos os humoristas dessa república, fez história. Quem diria.



De volta ao milho: o jeito vai ser estocar tudo nos tambores que ainda estão vazios e colocar a trituradora em ação para fazer o fubá que será misturado à ração das vacas e à outra para os bezerros. Essa ração, basicamente, é composta hoje por milho moído, farelo de soja com 46% de proteína bruta (PB), farelo de algodão com 38% de PB e sal mineral. Essa composição, hoje, é a mais econômica ou, melhor dizendo, a menos cara. Atualmente formulo uma ração com 18% de PB, mas a partir de agora vou fazê-la com 20%.

Cerca de 1 km antes da porteira, vi o vizinho e dono do sítio pelo qual passávamos parar o carro no acostamento. Parei, também, para ver se era algum problema e porque queria perguntar se ele tinha recebido umas vacas boas – o negócio dele é negociar gado. Estava tudo bem e ele parara para ver a novilha perto da cerca parir. De fato, a bichinha – uma holandesa bonitinha, não muito grande – estava ainda com a bolsa e parte da placenta pra fora, lambendo a cria no chão.

- Olha aí, aproveita e compra ela, te faço baratinho. Só que ela tem só 3 peitos (ou seja, perdeu um dos quartos do úbere), mas mesmo assim vai ser muito boa de leite.
- Hummmmmmmmmmm... Sei não, pegar mais uma vaca com 3 peitos... Já tenho duas no rebanho.
- Isso não é problema, tá cheio de vaca com 3 que dá muito mais leite que outras com 4.
- É, eu sei disso.
- Tem mais: se for uma fêmea que nasceu, é só você criar direitinho até a desmama e ela já te paga metade da vaca, quase.
(O problema é o tamanho desse “quase”, mas isso é detalhe...)

Varamos a cerca de farpado para ver a cria, ainda sendo lambida, mas já bem espertinha, cabeça levantada olhando para esse mundo cheio de novidades, a começar pelos dois bípedes engraçados que estavam chegando perto.

Olha daqui, olha dali, a vaca afastou-se um pouquinho e deu para levantar uma das pernas: uma fêmea.

- Taí, olha que beleza de bezerra!
- É, bonitinha mesmo, e parece esperta.

Foi dizer isso e a bichinha levantou-se, bem disposta, apesar das pernas ainda bambas.

- Bom, vou dar uma pensada, amanhã a gente se fala.
- Olha, demora muito não, porque esse bichinho tem comprador de monte.

No sítio, ainda deu tempo de ajudar com uma coisa e outra na ordenha da tarde, ajudar a picar cana e de repente já estava escuro. Entrando no banheiro, meio moído de cansaço, ansiando pela água quente batendo nas pernas e nas costas, escuto o berreiro do Minuto, o touro Jersey, ficar mais forte. Estranho...

O jeito foi botar calça e botina e ver o que acontecia. E assim começou uma noite daquelas...

O enorme touro branco do vizinho de baixo havia varado a cerca e invadido nossos pastos, território exclusivo do Minuto, assim como as senhoras que por ali pastavam, uma das quais entrando em cio. O que mais impressionou-me é que o bicho já deve estar com mais de 800 kg e continua crescendo, e assim mesmo pulou uma cerca – não muito alta, é verdade – partindo de uma base mais baixa, pois o terreno tem um declive razoável. Foi a primeira vez que isso aconteceu em muitos anos.

E tome canseira e trabalheira. No escuro, usando a lanterna de forma intermitente, andando no meio de pasto alto, entrando em áreas de macegas, a gente nem pensa em cobras, simplesmente avança, mas o meu medo era com os muitos buracos, novos e antigos, de tatus. Um pisão de um de nós ou de uma das vacas e pronto! Fratura. No nosso caso basta ir pro hospital e ficar uns tempos de molho. No caso de uma vaca, tudo que resta é o sacrifício. Para meu medo, a Maga, a Graciosa e a Florinda estavam acompanhando o bonitão invasor. As três prenhes, sendo que a Maga e a Graciosa já estão “chegadinhas” e podem parir a qualquer momento.

Depois de peripécias mil, não conseguimos isolar o touro branco na parte de cima do sítio, mas conseguimos fazer isso com o Minuto. As vacas ficaram ora assustadas, ora curiosas, mas de uma coisa já tinha certeza: o leite hoje cairia bem. Dito e feito: 20% a menos na produção.

Finalmente, consegui ir tomar meu banho. Não sentia cansaço, assim como não senti medo ao tentar conduzir o touro branco para longe no meio do pasto, na escuridão. Puro efeito da adrenalina, circulando “a mil” pelo meu sangue.
A mesma adrenalina que ajudou nossos ancestrais a sobreviver no meio de tigres-dente-de-sabre, mamutes, leões, crocodilos, lobos e outras ameaças terríveis. Sem adrenalina estaríamos extintos.

E assim se foi mais um doce e agradável dia no campo.

Coisas da vida, a doce vida campestre, mas o corpo aguenta e pede mais, até porque hoje é um novo dia.




Minuto, Gracinha, garças-brancas-pequenas e seriemas

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Quinta-feira, Abril 23, 2009

Os muitos nomes da Lua num final de madrugada


“... o por-do-sol precisa da minha supervisão...”, diz meu amigo Ary, num e-mail em que comenta minha mudança para o sítio e sua intenção em fazer o mesmo brevemente. Pois bem, contrapor daqui com a máxima seriedade: não é só o por-do-sol, Ary, o amanhecer também precisa da nossa supervisão.

Ontem, naquela hora imprecisa em que a madrugada findou e a manhã não começou, olhei para o céu e fiquei boquiaberto: a Lua, despedindo-se em seu quarto minguante, fininha como um alfange muito gasto e com o brilho da prata com que sonhavam os conquistadores europeus dessas Américas; bem pertinho, Venus, brilhante e prata pura, ambas destacadas contra o céu cambiante do escuro para o azul; entre elas, um jato cruzava o céu no rumo da grande metrópole a sudeste, deixando atrás um curto rastro também prateado como ele mesmo.

Um momento mágico.

Artemis e Afrodite, Diana e Venus, Jaci e a estrela matutina, entidades celestes que encantam os homens desde tempos imemoriais, fazendo uma trilha para a passagem da criação dos descendentes dos mesmos homens que as veneravam. A nascente manhã fria estava tomada pelos cantos dos pássaros, muitos pássaros que habitam esse sítio e seus arredores, ao gosto de Artemis, protetora e amante dos animais.

O jato se foi, levando pessoas desconhecidas rumo a seus destinos na grande cidade, alheias à Lua em seus muitos nomes e símbolos. Talvez alguém lá no alto, dentro do aparelho voador, estivesse olhando para baixo e pensando, como eu tantas vezes fiz, se alguém lá embaixo parava o que estava fazendo e olhava para o avião.

Sim, olhava para a obra-prima tecnológica, mas era só isso.

O pensamento voara para longe, muito longe, outras eras, onde Apolo é somente mais um deus do Olimpo, jamais uma nave espacial.

É isso, Ary, tudo precisa da nossa supervisão atenta, pois há quem acredite que tudo só existe quando sob nosso olhar.


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Terça-feira, Abril 21, 2009

Feriadão no sítio



Dia de Tiradentes, numa terça-feira, mas nem parece. Ontem, segundona de feriadão, o dia foi de uma normalidade absoluta, o que pode ser traduzido por “um dia de muito trabalho”, normalíssimo. Saí atrás de peças para a picadeira de cana, inclusive um eixo absurdamente gasto pelo uso intensivo e uma manutenção que pode ser descrita como pouco cuidadosa.


Mexer com essas coisas para mim é novidade, tal como ir a uma tornearia.

Conheço muito sobre tornos: já gravei muitos deles funcionando, controlados por cérebros eletrônicos (desculpem, ainda sou do tempo em que se chamava computador de cérebro eletrônico) e sei que são usados para um monte de coisas importantes, sem as quais nossa vida seria muito pouco confortável.

E, claro, bem informado que sou, sei de tudo o mais importante: ser torneiro-mecânico pode dar acesso à presidência dessa república.


Ou seja, nada sei sobre tornos.


O Toninho, de uma revenda de tudo para agricultura, disse-me que não tinha aquele eixo em estoque, mas que era só levar na oficina que o pessoal “enchia” e ele ficaria perfeito. Carreguei minha ignorância para a oficina e lá fiquei, olhando e admirando o trabalho do torno e do torneiro. Não há cérebro eletrônico na máquina, só o cérebro do operador, controlando suas mãos e seus olhos. Primeiro ele encheu o eixo com metal derretido pela solda elétrica. Depois colocou-o no torno e foi acertando, pouco a pouco, o enchimento feito pela solda. Em menos de meia hora lá estava meu eixo, novo em folha, pronto para trabalhar na picagem de umas 80 toneladas de cana, no mínimo, no decorrer dessa seca que se avizinha.


Na roça não tem jeito: você precisa mexer com mecânica, com torno, com eletricidade, com encamentos, com limpeza de minas e de caixas-d’água...

Tendo um pouco de sorte você consegue mexer até com vacas e plantas.


Minha Saveirinho 95 álcool anda esperta, pra cima e pra baixo. Toda vez que vou a Porto (Porto Ferreira, para os não-iniciados) volto com 300, 400 e até 500 kg de carga na caçamba, sempre farelos para ração. Com chuva, tudo “envelopado” por uma lona plástica, cordas por todo lado para o vento não levantar e a água não entrar.



Pela manhã, ao sair para dar uma forcinha pro Zé Divino, blusa, camisa e camiseta são obrigatórias. O frio já chegou, mas o sol esquenta tudo e o jeito é tirar a blusa e depois a camisa, deixando a camiseta já suada. Dias quentes, noites frias, gosto disso, as vacas também. O Zé já nasceu em lugar parecido, Andradas, em Minas Gerais. faltam algumas montanhas, mas temos nossos morros.


Apesar da trabalheira, dá para ver muita coisa.

As seriemas cresceram seus filhos e já fica difícil distinguir quem é quem. Andam os quatro juntos, o tempo todo. No mundo das seriemas como no mundo dos homens, os filhotes adotaram a moda “canguru” e só deixam o lar paterno já bem crescidos, muito crescidos. Garotada esperta, essa.


A proximidade do final da tarde traz os jogos de luz e sombras. Um pouco a gente tem que parar e observar. Tenho sorte, faço isto desde sempre.


Basta olhar para encontrarmos a beleza.


Ah, é verdade, hoje é feriado, mas eu já falei isso, né?

Nem parece, exceto pelo fato de ir filar a boia na minha sogra.

No mais, a vida segue seu ritmo.



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Sexta-feira, Abril 10, 2009

Sob a beleza serena do luar

Passei pela porteira e parei a pickup. Desliguei o motor, apaguei as luzes e desci para fechar a porteira. Não voltei para o carro, fiquei parado olhando a Lua. Cheia, imensa, dourada. É a terceira noite da cheia plena e o espetáculo desse começo de noite foi de emocionar. Assim como a visão dela nos dois últimos começos de dia, prateada, fechando a madrugada e revelando a neblina fraca que cobre as grotas e algumas encostas. Os pastos adquirem a mesma tonalidade prateada, o frio já se faz sentir, exige blusa, mas ainda não é intenso. As vacas sentem-se confortáveis, principalmente as Jersey, com sua origem nas ilhas do Canal, frias e úmidas. Os bezerros dormem profundamente, alguns meio escondidos pela grama abundante do bezerreiro.

Nesses finais de madrugada, nesses começos de noite, fico em paz, sinto uma tranquilidade que há muito não sentia, talvez nunca tenha sentido. Aqui é meu lugar, aqui estou fazendo o que sonhei fazer por toda a vida. Demorou, demorou muito, mas essa paz comigo mesmo compensa tudo.

Não gosto de luzes fora de casa, sou um bicho do mato que gosta da claridade difusa das estrelas e do luar, e essas noites claras de outono são quase tão perfeitas quanto as de inverno. Pensando bem, são ainda melhores porque há umidade por toda parte, mesmo depois de alguns dias sem chuva. Poucos insetos ainda incomodam e sentar na varanda para simplesmente olhar a paisagem banhada pelo luar é bom demais. Temos feito isto, mas ainda pouco. Sem uísque, sem cerveja, sem charuto, sem música, apenas luar e paisagem. Trilha sonora não falta, desde um bezerro ranheta até os grilos e algumas aves noturnas. Para mim, assim é o mundo, assim deveria ser sempre.

Há milhares de anos, em noites como essa, saímos da proteção da caverna e olhamos para um céu igual a esse. Nada sabíamos sobre os astros, sobre essas luzes, mas sentimos o seu mistério e seu esplendor. Abstraio as explicações cientificas, elimino-as de meus pensamentos e percebo que estou muito próximo de ancestrais remotos. Evoluímos, associamos astros a deuses e agora explicamos tudo em detalhes tão minuciosos quanto inatingíveis. Nessa hora penso que ciência e religião são a mesma coisa, apenas o homem tentando explicar tudo que vê, tudo que sente.

Bobagem. Melhor sentir, apenas.

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Domingo, Fevereiro 15, 2009

Granja Viana, adeus



Chove.
Chove tanto e há tantos dias que o solo do gramado virou uma esponja: apertado pelo pé, esguicha água por toda parte e barro em algumas. Tanto isso é verdadeiro que fez com que meu filho desmarcasse sua festa de aniversário e despedida da Granja Viana.

Despedida, sim. Essa manhã chuvosa de domingo é a última que vivo aqui, nessa casa que há 15 anos é o meu lar.

Nesse período, como não poderia deixar de ser, dramas, tristeza, alegrias e conquistas aconteceram. Choramos e rimos, nada diferente do que acontece ao longo de 15 anos em qualquer lar.

A Granja mudou.


Nós também mudamos
, claro, mas a Granja mudou, foi mudada, muito mais que nós.
Há menos árvores e muito mais casas.
Os carros multiplicaram-se em espantosa progressão geométrica.
As ruas simplesmente não cresceram, sequer na largura, exceção feita a um ou outro trecho pequeno.

Os saguis não vêm mais até aqui, em busca de insetos e frutinhos nas árvores, além das fatias de mamão e das bananas que o Marcelo e o Renato, nossos vizinhos, e nós mesmos, colocávamos para eles nas árvores próximas.


A própria chegada deles pegou-nos de surpresa há alguns anos e foi o sinal, como disse para os rapazes e para a Rosa, que a Granja estava acabando.


Eles estavam aqui porque pedaços do seu velho habitat estavam destruídos.

Agora a destruição encostou aqui em casa.
Não há o que fazer, é tudo dentro da lei.
Não há o que fazer, é tudo fruto do progresso.

Impotente, deixo a Granja com alegria.

Quem vem para cá irá gostar.
Sim, irá gostar, pois essa Granja de hoje ainda é muito melhor e mais gostosa que qualquer bairro paulistano. Principalmente os bairros verticais, onde as pessoas vivem embaixo ou em cima e ao lado umas das outras, separadas por centímetros de concreto, alguns quadros e carpetes.

Para mim, contudo, é tempo de mudar.
Soa como uma derrota, não deixa de ser.

Sempre soube que a Granja era passageira e sempre soube que as árvores e os animais, como os mutuns e os serelepes, tinham pouco tempo pela frente.

Esperava estar longe quando essas mudanças começassem, mas fui atropelado por elas.

Vou para o sítio, para onde sempre quis ir, para onde sempre soube que um dia ainda iria. Felizmente, vou a tempo de trabalhar, de começar de verdade, para valer, um novo trabalho, um novo ciclo em minha vida.

Lamento pela Granja e por seus moradores não humanos. Para os humanos, para a maior parte deles, ela está cada vez melhor. A estrutura de serviços é fantástica, cobre tudo, do pequeno, acolhedor e providencial Armazém do Nicolau ao grande Wal-Mart, passando por livrarias, restaurantes excelentes, o melhor deles ainda sendo o Ney e seu Pátio Viana, que o que não tem chic tem gostoso, pizzarias, lojas de informática, mercados como o Pão de Açúcar e o Marché, refinados e tentadores, até o Habib’s e o McDonalds.

A Granja é uma festa e em nada mais precisa de São Paulo, sequer escolas, até a universidade. O que é ótimo, porque a Raposo Tavares continua o gargalo, pior a cada nova temporada escolar. É o progresso.

É, não consegui esconder um laivo de tristeza nessas
palavras, mas, podem acreditar, é por tudo que a Granja foi e está deixando de ser. Um lugar de matas e bichos com um monte de casas espalhadas.

Desejo que as novas pessoas que farão dessa casa um
novo lar sejam felizes.
Espero que cuidem dos três ipês juntinhos, fazendo um só, todos amarelos, florescendo um depois do outro e colorindo a frente da casa por muitas semanas do meio do inverno.
E também do pé de acerola, que tanto suco já nos rendeu.

Que essa chuva seja somente a água que está lavando tudo e criando um novo espaço para os novos moradores.
É tempo de mudanças, para todos nós.
Que elas nos tragam mais felicidade e alegrias.

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Domingo, Fevereiro 08, 2009

Fevereiro, mês de estrada destruída


É tanta coisa que não sei por onde começar.

Vou começar pelo fato de estarmos em mais um fevereiro, evento que se repete todo ano, como bem sabe qualquer pessoa com mais de três ou quatro anos de idade.

Eu disse qualquer pessoa?

Triste engano, políticos são pessoas, mas ignoram esse fato básico que até as folhinhas registram.

Há quatro anos, a passagem da nossa estrada vicinal que liga Santa Rita do Passa Quatro à Santa Cruz da Estrela, sobre o Córrego da Estrela, foi destruída por uma chuva fortíssima. Para quem quiser ver o que aconteceu e o que escrevi, tem um post a respeito: “Carnaval no campo e na roça I”. Foi postado em 9 de fevereiro de 2005 e tem duas sequências.

No ano seguinte, em fevereiro, foi a vez do córrego do Zé da Silva. O bueirão entupiu, como é obvio que aconteça todo ano, a água acumulou-se na baixada, transformando brejo e um pedaço de pasto em enorme lagoa, até que, como sói acontecer desde que o mundo é mundo, a pressão da água venceu a força do aterro sobre o qual passa a estrada e... Lá se foi a estrada. A pouco mais de dois mil metros do desastre anterior.

Depois disso tivemos dois fevereiros sem desastres, não por méritos “prefeiturísticos”., mas por mera sorte. Aqui pertinho da porteira, a uns mil e poucos metros, a água do Rio Clarinho cobriu a estrada, mas o aterro, sabe-se lá por que, resistiu e não ruiu.

Neste fevereiro o desastre voltou, dessa vez no Córrego do Padre, a meio caminho entre este Sítio das Macaúbas e a cidade de Santa Rita do Passa Quatro. A água acumulou, forçou e venceu o aterro. Criou um buraco com quase 14 metros de profundidade.

A força foi tão tremenda que levou de cambulhão pedaços de lajes de concreto pesando toneladas, e torceu e retorceu os tubulões de ferro como se fossem de papel, arrastando-os para longe, também.

A água depositou toneladas e toneladas de areia sobre o pasto do sítio do Mauro e da Pirina, pais do Zé Roberto, que está sempre aqui no sítio para mochar os bezerros e uma coisa ou outra. Eu não vi, mas um amigo contou-me dos dois, olhando o sítio, e chorando.

Por que isso aconteceu?

Porque choveu demais, uma pancada brutal que despejou cerca de 130 mm em uma hora, como soi acontecer em todo fevereiro. Tanta água em tão pouco tempo, deparando com o bueirão entupido, acumulou-se...

O detalhe é que, poucos dias antes disso, o Mauro procurou a prefeitura e disse que o bueiro estava entupido.

Pois é.

Mas, vamos e venhamos, nem era o caso dele falar, certo?

Porque, o certo, o lógico, o razoável, o correto, o honesto, em suma, seria que esses bueiros, esses tubulões, fossem inspecionados regularmente e, claro, fossem limpos periodicamente, digamos, uma vez por ano. Entre Santa Rita e a Estrela, a distância é de 17 quilômetros. Nesse trecho, a estrada passa sobre o Córrego do Rola-Abóbora, depois sobre esse Córrego do Padre, aí vem o Rio Clarinho, seguido pela passagem sobre o Rio Claro, a poucos metros da nossa divisa de baixo; segue-se o córrego que vem da fazenda do Zé da Silva e, finalmente, o Córrego da Estrela.

Aí pergunto: quanto tempo e quanto dinheiro custariam essas inspeções e o envio de uma turma de manutenção, para simplesmente limpar os tubulões? Tirar os galhos que se acumulam e o excesso de areia que fica retida nas entradas dos bueiros? Praticamente nada, menos de um dia de serviço em cada um e custo quase zero para os cofres municipais.

Mas... Já tivemos três desastres e outro que só não aconteceu por sorte.


Daqui a doze meses será fevereiro novamente. Ou melhor, digo, ou pior, ainda estamos em fevereiro, o Carnaval está por chegar, e as grandes chuvas têm particular apego pelos desfiles e fantasias. Nada impede, muito menos a prefeitura desse município, que um novo chuvão brabo destrua mais um trecho de estrada.

Cada vez que isso acontece, centenas de pessoas são profundamente afetadas em suas vidas. Agora, por exemplo, enquanto a prefeitura não providencia uma passagem de emergência, as crianças estão levantando de suas camas às quatro horas da manhã, pois o trajeto para a cidade foi aumentado, subitamente, em mais de vinte quilômetros, a maior parte por estradas de terra. Ou em mais de quarenta, se pegar só asfalto. Sem falar em ambulâncias, caminhões transportando leite, laranja, mercadorias, ou nos ônibus intermunicipais, e por aí vai.

Pois é, tanta coisa pra falar, inclusive que, antes desse Carnaval chegar, estaremos aqui no sítio de mala e cuia, definitivamente.

Porque, antes desse Carnaval chegar, chegará nossa mudança.

Estamos deixando São Paulo e a Granja Viana para trás.

Santa Rita do Passa Quatro é nosso futuro, com a estrada destruída e sem receber pelo leite que entregamos, dia sim, dia não, para o laticínio Nilza.

Faz parte.

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Quarta-feira, Janeiro 21, 2009

Macaúba

Quarta-feira, Janeiro 07, 2009

Cadê meu pagamento?

"Caixa postal lotada. Por favor, ligue mais tarde."

Assim começou a manhã de quarta-feira, 7 de janeiro, para mim. Provavelmente para muitos outros, também, todos eles produtores de leite e fornecedores de um grande laticínio paulista, como eu. Todos, como eu, devem ter ligado logo cedo para o seu interlocutor na empresa, a pessoa que compra nosso leite e passa orientações e informações diversas. Venho ligando para ele, o comprador, há vários dias, desde antes do Natal. Nas duas primeiras ligações fui atendido, ambas antes do Natal. Depois disso, não mais. Já estou sabendo que isso não é privilégio meu, pelo contrário, pois um vizinho que também entrega seu leite para eles não tem sido atendido.

E por que cargas-d'água estou
eu ligando para o pobre homem logo às sete horas da manhã, insistentemente?

Porque nesse horário eu fico
sabendo que minha conta bancária continua sem o depósito do dinheiro que me é devido pela indústria, simples assim. Vamos ver, então, que dinheiro é esse.

Durante o mês de novembro, que começou há 68 dias e terminou há 38, com chuva ou
com frio (tivemos chuva, felizmente, e tivemos até frio nesse novembro último, tal como ocorreu em dezembro), as atividades no Sítio das Macaúbas não mudaram, nem mesmo aos domingos ou no dia de Finados. Por volta de seis horas da manhã, as vacas, já à espera na porteira do pasto, foram para o curral e pouco depois começou a ordenha.

Para fazer a ordenha há uma pessoa trabalhando, que recebe um salário por isso, e mais os encargos sociais de lei.
A ordenhadeira é mecânica, logo, precisa de energia elétrica para funcionar, energia que é cobrada religiosamente todo mês.
O leite é guardado num resfriador, ele também movido a energia elétrica.
As vacas comem um pouco de ração, ingerem alguns medicamentos homeopáticos, foram vacinadas nesse novembro contra a aftosa, comeram cana misturada com uréia, enfim, geraram inúmeras despesas para que, ao final, jorrasse o leite saudável, nutritivo, riquíssimo e com um toque de amarelo, típico das vacas Jersey e suas mestiças, o melhor leite do mundo por sua riqueza em proteínas, minerais e gordura.

Vale dizer que o mestre-cuca inglês e astro de TV Jamie Oliver, só usa creme de leite de vacas Jersey em suas receitas que deixam a boca cheia d'água.

O preço pago por esse produto em outubro, e repetido em novembro, foi de 53 centavos o litro. Isso aí: cinqüenta e três centavos de real por litro de leite, no meu caso um leite riquíssimo, de alto desempenho industrial, fazendo mais queijos, mais manteiga, mais iogurtes com menos leite que o de outras raças bovinas.

Não bastasse esse preço miserável, o leite produzido durante o mês de novembro ainda não foi pago. Até hoje, dia 7 de janeiro.

O certo, na minha visão e de todos os produtores que conheço, teria sido receber o pagamento no começo de dezembro, lá pelo dia 5. Só que a indústria, do alto de sua fortaleza empresarial, achou melhor pagar no dia 12 de cada mês. Em outubro, sem mais nem menos, mudaram a data de pagamento para o dia 20, uma tragédia. Como em novembro esse dia foi feriado – mais um – só recebemos no dia 21 de novembro pelo leite de outubro.

Em dezembro, o dia 20 fez o favor de cair num sábado, logo, ingênua e esperançosamente, acessei minha conta no dia 22 e...


Nada.

Nisso, chega um papelzinho, um papelucho, do laticínio, dizendo que o pagamento seria feito até o dia 24 de dezembro.
Bom, engoli a raiva e pensei que, dos males o menor, os caraminguás chegariam antes do Natal. Isso tudo passou por minha cabeça numa fração de segundo, pois a leitura da frase seguinte revelou algo ainda pior: o papelucho dizia que seriam pagos somente 70% do irrisório valor devido.

Os outros 30% seriam pagos em janeiro, fevereiro e março, 10% de cada vez, no dia 20 de cada mês.

Assim, sem mais nem menos. Como nos tempos da colônia, como se fosse um édito real, com o carimbo "Cumpra-se", não importando o quão absurda ou injusta fosse tal medida, tomada além-mar por El Rei.

Pois bem, o dia 24 chegou e se foi, assim como o 25, o 26 e até mesmo o dia 28, e nada do dinheirinho na conta. Nessa altura do campeonato, já tinha ligado para o digno representante, coitado, que é apenas um funcionário, que, constrangido, disse-me o dia 30 seria o limite para todos os depósitos, que eu ficasse despreocupado. Ansioso por agradar-me, disse mais: os 30% restantes seriam pagos de uma só vez em janeiro mesmo. Pelo menos a ligação serviu para desejar ao homem, ele próprio um produtor de leite, um feliz ano novo.

Quando pensava que isso era o pior, descobri que não era bem assim: estamos, repito mais uma vez, em 7 de janeiro e nem os miseráveis 70% entraram na minha conta, assim como não entraram nas contas de muitos outros. Dezembro já é passado e o ano de 2009 já entra em sua segunda semana. Eu, tolamente, não perguntei de que ano era o 30 de dezembro a que ele se referiu. Ingênuo e crente, acreditei que ele referia-se a dezembro de 2008.

Felizmente, não dependo do leite para viver, mas preciso do dinheiro do leite para pagar contas. As pessoas e empresas para quem devo nada têm a ver com a poderosa indústria e com o preço do leite. Mas eu tenho tudo a ver e a haver.

Que fazer?

Não quero ser chato, demagogo ou revolucionário de araque, mas enquanto isto o dono do laticínio certamente não teve problemas para abastecer com gasolina Premium sua Mercedes. Seus familiares tiveram Natal do mais alto nível e qualidade, em termos de presentes, luxo e produtos à mesa, além de locais paradisíacos onde comemorar essa e outras festas.

Tampouco teve problemas para pagar a conta da eletricidade, os salários de seu pessoal doméstico, o valor das compras no supermercado fino, repleto de iguarias d'Europa e Ásia, a começar, creio eu, por bons vinhos e melhores ainda espumantes, certamente merecedores oficiais do nome "champagne".

Agora pergunto: e eu, e nós todos, como ficamos?



Post scriptum em 9 de janeiro


Finalizando: liguei outras vezes para o representante, igualmente sem sucesso, até que atendeu, finalmente. Garantiu-me que o depósito (dos 70%) seria feito ontem, quinta-feira, 8 de janeiro. Ou melhor, como se diz no moderno e destroçado português tupiniquim, "estará sendo depositado".

Não foi.

Quem sabe hoje?

Quem sabe quando?

Mais dez dias e estará na hora de receber pelo leite de dezembro.

Enquanto isso vou pagando as contas.

Vou pagando para produzir leite e entregá-lo à indústria, cujos produtos – eu sou fiel – compro no mercado aqui perto, mas sem choro nem vela: sou obrigado a pagar à vista.

Somando as ligações feitas para o representante, todas em horário comercial, pois entendo que deve-se respeitar horários para tratar de negócios, gastei algo como sete a oito reais, no mínimo. Além do problema do leite estar a esse preço de miserê – R$ 0,53 por litro – tem o ganho real por litro, que nessa época de pasto abundante e despesa mais baixa gira ao redor de oito a dez centavos por litro.

Digamos dez centavos por litro: gastei,portanto, o "lucro" de 70 litros de leite, no mínimo, para cobrar uma posição sobre meu pagamento.

É leite pra burro.
Como já me disseram ene vezes, leite é pra burro.

Mas eu continuo sendo teimoso e crente, sigo acreditando que, se não é bom pra burro produzir leite, ainda é bom demais produzir leite. Sei lá porque, mas eu gosto e voltarei a aumentar a produção brevemente.

Para completar, um pequeno detalhe: como precisei vender várias vacas no início de 2008, estou com somente 7 animais no leite. Com o preço praticado, desisti das duas ordenhas e deixo a bezerrada mamar até o meio da tarde.

Tão pouco leite e nem assim recebo o que me é devido.


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Sábado, Dezembro 06, 2008

Cumari, a pimenta dos passarinhos



A cumari, pequena, ovalada, vermelha, rubi, tão ou mais rubiácea que o café, abunda no Sítio das Macaúbas,
assim como na chácara dos meus sogros, também na gostosa e ainda bucólica Santa Rita do Passa Quatro.

Encontramos seus arbustos por toda parte, no sítio e na chácara, mas sempre embaixo da copa de alguma árvore.


Tal como ocorre, por sinal, com as macaubeiras.

A explicação para essas localizações é fácil: no caso das
macaúbas, araras, papagaios, maritacas e tucanos, pegam o coco diretamente na palmeira e levam-no para outra árvore, mais confortável, onde saboreiam a polpa que envolve o coquinho propriamente dito, chegando até a trincá-lo.
Refeição terminada, deixam-no cair. No chão, em meio ao folhedo que lentamente se decompõe, o coquinho germina e uma nova macaubeira vem ao mundo.

Para nós chega a ser uma praga, tão grande é a quantidade nos pastos, mas é uma planta tida como de difícil germinação e, aparentemente, há falta de mudas no mercado.
Não tenho descartada a idéia de aproveitar essas mudas futuramente, tirando-as do solo e colocando-as em vasos ou sacos plásticos, para comercialização.



Com a pimentinha cumari ocorre processo semelhante.
Os passarinhos colhem os frutos maduros, bem vermelhos, nos arbustos, e vão comê-las em outras árvores.
As sementes que deixam cair enquanto comem ou, principalmente, as sementes não digeridas em suas
fezes, vão dar origem aos novos cumarizeiros.




Por causa desse processo, o tio da Rosa, Antonio, diz que a cumari não faz mal nenhum, justamente porque é comida pelos passarinhos. Há relatos de que ela faz bem para quem tem hemorróidas, mas sobre isso nada posso dizer.


Ao contrário de outras pimentas, a cumari não é aromática, mas o que tem de perfume fraco tem em ardência forte.
Conservada em óleo ou vinagre, normalmente é colocada inteira no prato, onde é picada com a faca ou amassada com o
garfo, e a seguir misturada na comida.
Minha sogra também a prepara batida no liquidificador e o tempero é brabo, tem que ser usado com moderação. Isso ocorre porque as sementes, que são batidas juntamente com a polpa, contém maior concentração da capsaicina, a molécula que faz a pimenta ser... apimentada.




Framboesa em Santa Rita do Passa Quatro

Esses dias descobri que os pés de framboesa estão detonando a horta do Scarpa, crescendo por toda parte e se tornando um estorvo. Além disso, também estão carregados de framboesas, grandes, escuras, saborosas, algumas muito doces, outras nem tanto, precisando de mais alguns dias para ficarem no ponto.

Algumas das mudas eliminadas na horta dele virão para a nossa horta. Sempre tive vontade de ter framboesa no sítio, mas achava que era quente demais.
Agora descobri que não.


Já não posso dizer o mesmo, por enquanto, em relação às alcachofras. Em setembro fui até Ibiúna e comprei meia dúzia de mudas, das quais uma só sobreviveu.
Não desisti delas, todavia.
Assim que possível, volto a Ibiúna para comprar mais umas mudas. Essa variedade, a Roxa de São Roque, só se desenvolve a partir dos 700 m acima do nível do mar.
Bom, o sitio atende a esse requisito.
E em boa parte do ano, os dias são quentes e as noites frias e até muito frias. Então, não há porque, em tese, as alcachofras não se desenvolverem.

Algumas outras plantas estão na minha lista de desejos, como a endívia, o alho-poró, o aspargo e o grão-de-bico.
Não é para já, mas ainda hei de plantar todas elas.
São plantas que parecem ser meio chatinhas, gostam de frio, pois vêm de clima temperado, mas acredito que conseguirei, talvez com o auxílio de uma cobertura de sombrite, a tela preta que corta 50% da luminosidade e boa parte do calor do Sol.



A vida no campo tem dessas coisas simples e fascinantes, todas elas carecendo de tempo e paciência.
O prazer de ver as plantas em crescimento, vigorosas e saudáveis, depois colher e comer, é bom demais.

Primitivo, ou original, mas também profundo, algo que nos leva de volta a tempos imemoriais.


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Segunda-feira, Outubro 13, 2008

Por KASSAB. Contra o PT.




Curto e grosso, repito o título:



Por KASSAB. Contra o PT.



Há momentos na vida que tomar uma posição clara e inequívoca é fundamental.


Assim agi no início dos anos 70, adolescente ainda, ao começar a militar contra o regime militar. Era preciso tomar uma posição, assim pensava, e tomei a única que me pareceu correta, decente e, sobretudo necessária.


Em 1985, Tancredo eleito, cortei abruptamente minha militância política. Tinha dedicado a ela 14 dos melhores anos de minha vida.


PSDB formado, encontrei nesse partido um ideário e pessoas com os quais afinava.


Curiosamente, mesmo durante a militância no velho Partidão, ou talvez justamente por isso, nunca gostei de boa dos petistas e suas artimanhas. O comportamento purista e arrogante de quem sempre se achou dono da verdade, de quem sempre se achou superior aos demais mortais e partidos, nunca me agradou. Essas certezas e verdades absolutas são tão verdadeiras quanto uma nota de sete reais. Nem vou me alongar nesse nhenhenhém, pois todos conhecem as histórias incríveis de corrupção que envolvem esse partido e muitos de seus principais cabeças. Só de pensar no sucesso estrondoso do filho do presidente... Recolho-me à minha insignificância de pequeno e empobrecido empresário. Claro, pequeno e empobrecido porque faltou-me a genialidade e tino empresarial do jovem filho do presidente, ele próprio o genial guia condutor dos povos do Terceiro Mundo e outros mundos. O DNA é bom.

Pois bem, você deve estar se perguntando que bicho me mordeu para aparecer com esse texto tão carregado de irritação, de raiva, de asco – ops, asco é para daqui a pouco, estou colocando a ânsia de vômito na frente da indignação moral.




Uma manhã de domingo estragada



Ontem de manhã, estava indo e vindo entre o curral e a cozinha, dando umas olhadas no Globo Rural , quando peguei inteirinho um anúncio do PT - mas não assinado pelo PT, tinha umas letrinhas na assinatura... - contra o Kassab (minha Sky no sítio recebe imagens de São Paulo).

Ok, tudo normal, nada a objetar. Estamos em campanha de segundo turno e é normal, até, um candidato atacar o outro. Dentro de certos limites, é claro.


O comercial em questão é uma sucessão de perguntas, a maioria de uma cretinice a toda prova. Normal, também, partindo de quem partiu, uma vez que cretinice e petismo costumam andar juntinhos, quando um não é sinônimo do outro.


Nada de novo no front, portanto.


E assim foi até a última pergunta, que não era um exemplo de cretinice.

Era um exemplo de canalhice, baixeza, torpeza, um exemplo cristalino de preconceito, uma pergunta nojenta, bem de acordo com o caráter desse partidinho e seus dirigentes.

A pergunta:

"Kassab é casado?"

Uma pergunta com a clara intenção de denegrir a imagem de Gilberto Kassab. Cujo estado civil, aliás, não só ignoro como tampouco me interessa. Meu interesse está centrado em sua administração, que não é exemplar, nenhuma é, mas é excelente dentro das possibilidades que tem um prefeito dessa megalópole espoliada desde sempre, desamparada do poder federal, o mesmo que leva embora a maior parte do que a cidade gera.


Essa canalha, hoje no poder federal e em vários outros, gritou por anos e anos contra os preconceitos, todos eles.


E agora, como se fosse necessário, esses caras, essas figuras que se autodenominam impolutas e sei lá que mais, revelam sua verdadeira face.

O irônico, se assim se pode chamar, é que o preconceito aparece enrustido, calhorda, sem vergonha, justamente na campanha de Dona Marta Suplicy, a mesma que celebrizou-se por atitudes opostas e palavras opostas – todas falsas, vê-se agora. Aliás, seu único trabalho como parlamentar, a rigor, foi apresentar um projeto liberando o casamento civil entre parceiros do mesmo sexo.

O PT superou-se.

Na canalhice.

Kassab ganhou no primeiro turno, surpreendendo petistas e a parcela burra e sem visão do PSDB.

Na abertura da campanha para o segundo turno, as pesquisas apontam para ele uma vantagem brutal.

Vai ganhar?

Sei lá, ainda mais com Lula, ou lulla da Silva, ao gosto de quem lê, apelando para os sacrossantos evangélicos em verdadeira cruzada contra Kassab.


Esse comercial nojento e preconceituoso dá bem o tom da campanha petista em prol de Dona Marta, também conhecida por Martaxa, e mais não falo.

Uma coisa é certa: eu estou em campanha por Gilberto Kassab.

Espe
ro que o povo da minha cidade varra o lixo petista para longe, para bem longe de sua marca mais ou menos consolidada de um terço do eleitorado.





Aos leitores deste Olhar Crônico não peço desculpas por nada do que escrevi, tampouco pelo tom. Como eu disse no início, há momentos na vida em que tomar uma posição clara, cristalina, inequívoca, é fundamental. Por isso, não peço desculpas, mas conto com a compreensão de vocês.





Em tempo: minha crítica tem como alvo claro as cúpulas petistas, e não só de agora. Na militância há muita gente boa. Algumas dessas pessoas são amigas de longa data.



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Segunda-feira, Outubro 06, 2008

Beleza é fundamental


Beleza é fundamental, sim.


Estava certo o poeta, embora essa frase deva ser tomada pelo sentido mais amplo e não meramente pelo físico, pelo estético. Nesse texto, porém, ela deve ser tomada pelo seu significado mais imediato: a beleza física.


Mas não estou me referindo a nenhuma mulher, se bem que o foco dela não só tem características femininas, como merece ser tratada como uma mulher. Falo da cidade de São Paulo, a minha São Paulo, que ontem, para surpresa de todos, inclusive eu mesmo, deu ao prefeito Gilberto Kassab o primeiro lugar na eleição, à frente da ex-prefeita Marta Suplicy e do ex-governador Geraldo Alckmin.


E o que tem a ver beleza com os votos de Kassab?


Muito, tem muito a ver.


Quando foi indicado para ser o vice de José Serra, eu fui um dos muitos, inúmeros paulistanos que chiaram uma barbaridade. Não queria um cara do PFL, queria um cara do próprio PSDB, alguém afinado com Covas, Serra, Fernando Henrique e o Alckmin. Tivemos, porém, que engolir o Kassab.


Tão logo Serra deixou a prefeitura e assumiu o governo do Estado, o prefeito começou a botar suas manguinhas de fora e logo de cara apareceu com um tal de Cidade Limpa.

Antes de ler o projeto já saí criticando, felizmente, apenas para mim mesmo. Tão logo li, achei legal, mas achei que não passaria de um factóide.


Pobre cidade de São Paulo.


O tempo passou.


O Cidade Limpa “pegou”, apesar dos protestos, apesar das liminares, apesar das lutas políticas, apesar de um monte de coisa, “pegou”.

De repente, a velha cidade de São Paulo estava visível, não mais escondida por outdoors, painéis gigantes, luminosos berrantes e horríveis, nada mais disso.

Lá estava ela, bonita, em muitos lugares, em outros nem tanto, mas pelo menos, limpa.


Beleza e limpeza.


Comecei a ter prazer em ficar alguns minutos parado no trânsito, olhando fachadas há muito escondidas, vendo ruas e avenidas sob uma nova perspectiva, sem anúncios espalhafatosos. A Avenida Rebouças, conhecida íntima de muitos e muitos anos, estava de novo bonita, agradável de ver.


Dei-me conta, então, que tínhamos um prefeito de fato.


Tínhamos alguém preocupado com a cidade, com seu funcionamento, sua aparência, claro, afinal, como disse o poeta, beleza é fundamental.


Até que li que a Prefeitura contribuía financeiramente com o Rodoanel. Fantástico.


E com o Metrô!


Que coisa incrível!

Um prefeito que enxergava muito além de seu curto, curtíssimo mandato.


Claro, muita coisa há para resolver, ainda.


E assim continuará por décadas.


Não haverá prefeito capaz de executar milagres na condução dessa cidade. Na vida real, a vida que vivemos, essas coisas levam tempo, são negociadas, interesses adversos têm que ser vencidos ou negociados, por aí vai.


Mas saber que, finalmente, tínhamos um prefeito trabalhando de verdade em prol da cidade, deu outro ânimo.


Algumas vezes, também, tive a oportunidade de ver o prefeito sentado a dois ou três metros apenas, no Morumbi, assistindo a um jogo do São Paulo. Sem seguranças, sem entourage, sem frescuras. Quieto lá em sua cadeira, curtindo alguns minutos do jogo sem ninguém para atrapalhar.

Ainda bem que o pessoal em volta sente a mesma coisa e respeita o direito dele ver o jogo em paz.


Gostei disso, também.

Desse despojamento, dessa falta de pompa e séquito.


Votei nele, é claro.


Aqui em casa todos votamos nele.


Voto de cabresto, claro.


O cabresto correto, porém, melhor chamado de “cabresto”.


Votamos porque vemos uma cidade mais bonita, mais gostosa, porque sabemos que ele está trabalhando e fazendo, bem ou mal, o que está dentro de suas possibilidades para melhorar em alguma coisa a vida nessa metrópole, parte maior de uma megalópole que caminha para os 22 milhões de habitantes e que vai bater quase 25 milhões quando formar uma grande unidade com Campinas.


Absurdo, mas inevitável.


Agora virá o segundo turno.


Estou convicto que ele vencerá a candidata do presidente da República e seu partido.

Quero muito isso, tanto que de forma alguma perderei essa eleição.

Farei questão de depositar, ops... de marcar meu voto na urna eletrônica.


E, somente então, desejar ao prefeito mais 4 profícuos anos à frente da cidade de São Paulo dos campos de Piratininga.



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Terça-feira, Setembro 16, 2008

Mais flores, agora róseas

Peço desculpas pelos longos intervalos sem nada publicar.
Os dias têm sido corridos, fiquei boa parte deles no sítio, tentando, ainda sem o mais importante insumo agropecuário, o dinheiro, arrumar algumas coisas já preparando a breve mudança para lá, em definitivo. O sítio tem internet via rádio, mas até hoje não comprei um notebook, falha que pr
etendo sanar rapidamente e que vai tornar minha vida menos complicada no que diz respeito às postagens nos blogs.



Uma linda manhã, sem sol, finalmente, com promessa de chuva ou, pelo menos, umidade. Bom demais.


Tenho tido sorte. Toda vez que estou no sítio uma das vacas pare. Dessa vez foi a Luna, uma Jersey pura, filha do Safári com a Inocence, que pariu uma bezerrinha. Dentro de minha recente política de dar nome aos bois conforme meu humor ou reação inicial, batizei-a de Maravilha. Batismo efetuado e divulgado, fiquei um pouco incomodado, mas vamos que vamos. Maravilha será Mara ou Marinha, não duvido.

Fico meio tentado a escrever sobre os abacaxis, os problemas, os imbróglios, os dilemas, as besteiras feitas, a insistência em algumas besteiras, mas, sei lá, melhor deixar quieto. Até porque já dei título para este post e preciso respeitar o que nomeei, tal como minha mais nova bezerrinha.

Maravilha recém-nascida, sendo lambida por Luna, em seu primeiro "banho", na sombra de uma laranjeira


A estação começou com a florada dos ipês-roxos e dos ipês-amarelos. Como já disse, há muitas espécies de amarelos e suas floradas não são coincidentes, o que faz crer que eles florescem durante muito tempo. Além disso, alterações climáticas provocam, também, uma antecipação na floração das espécies mais precoces. Dessa forma, na prática convivemos com as flores amarelas do ipê de maio, às vezes, ou junho, até setembro e até novembro, como já vi algumas vezes. Espetáculo garantido por meses e meses.

Recentemente tivemos a florada dos brancos e, nessa viagem, descobri com alegria que muitos ipês-brancos estão em
plena florada. Mas o que marcou, de fato, esses dias, foram os ipês-rosa.

Num bairro de Campinas, próximo ao ramal da Bandeirantes que dá acesso à Anhanguera, há vários deles. Mas os mais bonitos, sem dúvida, são os que estão na entrada de Araras, dos dois lados da pista, inclusive com alguns brancos també
m em floração de mistura. São árvores grandes, encorpadas, bonitas em qualquer situação, mas que carregadas de flores ganham uma beleza toda especial.

No haras da Monika, perto do sítio, um ipê-rosa decora o piquete do Kaliman, o belo cavalo BH que ela montou por anos e anos e agora está tranquilamente aposentado.


Um pouco mais adiante, olhando por entre a cerca-viva de sansão-do-campo, enxergamos o magnífico ipê-rosa que embeleza a sede do sítio do ‘seu’ Nelson.

A beleza dos ipês diminui ou deixa menos relevante a florada das ficheiras, que é bonita, também, porém mais singela,
mais simples, sem a magnificência de uma florada plena de um ipê de qualquer cor. ‘Tadinhas’ das ficheiras.

Não importa que a gente ande sempre pelos mesmos caminhos, a verdade é que o mesmo caminho nunca é o mesmo de um dia para o outro.


Se olharmos em volta com interesse veremos algo diferente a cada dia.

Essa coisa de mesmice é bobagem e só existe na cabeça de quem não quer ver que o novo está presente todo dia em toda parte.

Mas há que olhar para enxergá-lo.


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Sábado, Agosto 16, 2008

...as flores

Para ninguém dizer que no post anterior prometi flores e não falei, tampouco mostrei-as, substituindo-as pelos bezerros, aqui vão muitas, inúmeras flores.




Nessa época do ano a Via Anhanguera pode ser chamada, quase literalmente, de Rodovia dos Ipês, principalmente de Araras em diante. É uma festa para os olhos, que começa com a florada dos ipês-roxos, seguidos pelos diversos ipês-amarelos, que florescem desde final de junho e começo de julho, até meados de setembro. Seu auge, porém, parece dar-se nesse momento. À medida que os quilômetros se sucedem, os borrões amarelos fortes, vivos, quentes, contrastam com o verde dos pomares de laranja e com o tom cinzento que recobre os horizontes, típico desse período seco. Até choveu bem nos últimos dias, se pensarmos que estamos em pleno agosto, mas não o suficiente para limpar o horizonte.

Agosto é o mês em que florescem os mais belos de todos os ipês, os brancos. Há poucos ao longo da rodovia e o primeiro que aparece é o que fica na entrada de Leme. Há alguns anos vejo esse ipê e penso em fotografá-lo, sem nunca conseguir. Sua florada tem uma duração curta e sua beleza é passageira, fugaz, dura poucos dias e depois fica somente a árvore esperando a nova folhagem para a primavera.

Ontem, finalmente, consegui fotografá-lo, mas não no melhor ângulo e tampouco no melhor horário. Não importa, já foi bom, muito bom.



Esse ipê em particular não é alto, é até meio baixo, embora já tenha uma boa idade. Mais adiante, depois de Santa Rita do Passa Quatro, há vários ipês-brancos do lado direito da estrada, como esse, mas numa área rural, sem fiação elétrica e sem defensas ou construções a poluir os arredores. O tempo sempre apertado nem me permitiu lembrar dessas outras árvores e, quem sabe, estimular-me a esticar minha viagem mais uns 40 quilômetros entre ir e vir, e fazer umas fotos mais bonitas, numa paisagem mais agradável. Quem sabe no próximo ano?


Como não poderia deixar de ser, mesmo aqui, ao seu lado, um ipê-amarelo mostra suas flores.


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Espinhos e flores


Reparem na foto abaixo. É final de tarde, o Sol ainda está no horizonte, mas a Aleluia já dorme, depois de passar o dia com a mãe e com os primos. Escolheu como cama o chão embaixo da paineira que está dentro do bezerreiro. Como ela é agitada e brincalhona, o cansaço e a barriga cheia são ótimos indutores do sono.




Indutores do sono...

Quanta poesia... Mas, desde quando este texto é para ser poético?

Tem nada a ver, como vocês verão a seguir.

Pensando bem, nem precisa reparar muito, basta olhar para a foto do tronco da paineira em detalhe.


Viram quantos espinhos?

Pois é. Nem por isso, contudo, a paineira deixa de ser bonita e, ao seu jeito, aconchegante.

Assim, ou mais ou menos assim, é a vida no campo.

Que é, sim, bucólica, agradável, confortável, romântica, poética, que tem lá seus momentos, raríssimos, de sombra e água fresca, mas, que em contrapartida dessas coisas todas, tem também muitos senões.

Muitos espinhos, como a paineira, que é linda e gostosa no verão, com sua sombra generosa, bonita toda vida na primavera, coberta de flores, útil no inverno com suas painas que, como no sítio do Tião, cobrem o chão e dão a impressão passageira e falsa de uma nevasca em pleno interior paulista.

Na paineira, os espinhos têm função protetora.

Na vida campestre, os espinhos têm tudo, menos qualquer função útil. Principalmente quando esses espinhos são humanos e roubam.

Roubam leite e roubam galinhas, como fizeram conosco na semana passada, roubam televisões, geladeiras e aparelhos de som.

Roubam carros, motos e tratores, roubam vacas e carneiam as coitadas em qualquer beirada de asfalto, tirando meio quilo de carne e deixando o resto para os urubus, cachorros, gatos e outros comensais de carnes abandonadas; esse foi o destino da coitada da Gisele, uma das minhas Jersey PO, registrada e tudo, há alguns anos.

Essa semana mesmo, meu amigo A. e sua esposa L., chamemo-los assim, chegou em sua casa, no sítio, e deparou com bandidos fugindo em duas pickups pequenas e uma moto. A porta estava arrombada, mas os vagabundos nada levaram. Não tiveram tempo, felizmente. Mais felizmente ainda, fugiram, sem enfrentamento e as funestas conseqüências que disso poderiam vir.

Não por coincidência, uma semana antes os bandidos, com toda certeza, jogaram um pedaço de carne envenenada e mataram a cachorra que tomava conta da casa do A e da L.

Bom, a polícia foi chamada e compareceu, mas, naturalmente, nada fez, nada fará. Santa Rita do Passa Quatro tem apenas duas viaturas policiais para atender à cidade, à zona rural e ao distrito de Santa Cruz da Estrela. Nem é preciso dizer qual é a prioridade dos policiais, né? Até porque, ir pra zona rural implica em gastar combustível, pegar estradas de terra, ora com lama, ora com poeirão brabo, abrir porteira, passar por mata-burros, essas coisas todas que produtores rurais, e bandidos, são obrigados a fazer, mas que policiais e outras autoridades não gostam de fazer. Exceto, naturalmente, em período eleitoral, como agora.

Nos sítios e fazendas estamos isolados e, literalmente, sem proteção das forças de segurança, cuja existência tem por finalidade a proteção e segurança dos cidadãos.

Ao mesmo tempo, as autoridades e as leis, impedem-nos ou restringem terrivelmente, a possibilidade de auto-defesa. Ter armas em casa, por exemplo, é pedir pra arrumar chifre em cabeça de cavalo. É crime, do qual, naturalmente, estão isentos os bandidos, mas não os moradores da zona rural.




Apesar disso tudo, a vida no campo tem seus atrativos, ao menos para mim.

Como já disse mais de uma vez, o entardecer é um momento meio mágico.

A luz do Sol já baixo no horizonte dá um tom dourado a tudo. Os bezerros mais novos aproveitam o restinho de calor e antecipam a noite, caindo no sono ainda com claridade. Os mais erados ainda ficam zanzando por aqui e por ali, mastigam um pouco de feno, comem um bocadinho de grama, antes de se deitarem.

As noites com a Lua cheia, esplêndida e luminosa, ainda mais nesse céu limpo de inverno, são realmente lindas e despertam as melhores e, geralmente, as piores veias poéticas de muita gente. Gato escaldado que sou, para sorte de vocês fico quieto no meu canto e limito-me a essas mal traçadas linhas. Melhor dizendo, mal digitadas.

No fim, deixei para trás os espinhos da paineira e fiquei com suas flores e painas.


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Quarta-feira, Agosto 13, 2008

Coisas estranhas no Macaúbas



- E aí, tá tudo em ordem?

- Tudo bem, tudo certo.

- Ótimo. A Aleluia tá boa, desenvolvendo bem?

- Ah, tá, é a mais esperta dos bezerros, tá bem bonitinha.

- Legal, bom mesmo.

- Ah, tem uma coisa meio estranha...

Pronto!

Frio na barriga, o temor toma conta de mim.

Essa frase é sinal de coisa ruim, conheço-a muito bem, assim como o tom de voz.

- Então, o motorista do caminhão do leite trouxe um relatório e disse que o leite da segunda-feira tava sem gordura.

- Como assim sem gordura? Que loucura é essa? Justo as Jersey?

- É, eu achei bem estranho.

- Mas como o leite pode ter ido sem gordura? Não tem lógica.

- É, foi o que eu pensei, também.

...

...

Silêncio da minha parte, silêncio da dele, e a operadora do celular contando o dinheirinho pra sua conta enquanto isso.

- O motorista não falou nada, só isso?

- Só isso.

Conversei mais uma coisinha ou outra com o I. e desliguei, encafifado com a informação: como o ‘meu’ leite não tinha gordura?

Ora, pílulas, leite de Jersey só tem gordura! É riquíssimo, a ponto do próprio Jamie Oliver dizer em seus programas que o melhor creme de leite é o de leite de vacas Jersey! O que só mostra como ele é bom e entende mesmo de gastronomia. Já éramos seus fãs, aqui em casa. Depois disso, então...

Um pouco mais tarde, peguei o telefone e liguei pro Guto, tirador de leite há muito mais tempo, que mora no sítio e vive do leite. Alguém, portanto, que sabe das coisas, tanto as boas como as ruins.

Conversa vai, conversa vem e a bomba explode na minha cara ingênua:

- Emerson, leite sem gordura é leite com água. Roubaram teu leite e colocaram água no lugar.

Fico quieto... Estou pasmo, incrédulo, revoltado, desacorçoado.

- Oi, você ouviu?

- Desculpe, ouvi sim. Duro é acreditar.

- Eu sei como você está se sentindo. Onde você deixa o leite?

- Dentro do resfriador, mas o resfriador fica na varanda, exposto.

- E você não passou uma tranca nele, né?

- Nem pensei nisso.

- Pois então, pode pensar e fazer.

Pronto.

Aqui estou eu às voltas com mais uma das delícias da vida campestre.

Alguém, sabe-se lá quem, embora desconfiemos de alguém, ao invés de pedir, roubou.

Pior que isso, deu-me um duplo prejuízo: roubou o ‘meu’ leite e, em seu lugar, colocou água, afetando assim minha ficha e minha credibilidade junto ao laticínio.

Não bastava o roubo, teve também a sacanagem do prejuízo ao meu nome.

Por que o vagabundo simplesmente não deixou o latão com menos leite, flutuando na água?

Porque além de bandido e vagabundo é burro. Fez isso achando que ninguém iria descobrir e assim ele poderia continuar mamando no meu resfriador.

Só não sei para fazer o que com o leite, pois quem roubou não tem criança pequena na casa e, bem sabemos, tem leite à vontade do próprio local.

Claro, sabemos quem foi, mas não temos provas.

É o mesmo ladrão que levou as galinhas e foi visto por um morador próximo descendo de seu cavalo e levando um monte de sacos vazios na mão.

Agora o resfriador está envolvido por uma corrente, fechada com cadeado. Não que vá impedir, caso a vontade de roubar seja grande, mas atrapalha e atrasa muito o “serviço”, coisa que vagabundo nenhum gosta.

Não vale a pena avisar a polícia, é só perda de tempo, mas assim mesmo eu vou avisar, pois quem rouba um tostão rouba um milhão.

Hoje, galinhas, o galo vermelho que a Rosa adora e leite. Amanhã... Sabe-se lá o que.

Por isso, já tenho visita programada à delegacia tão logo chegue na cidade.

Tem nada, não, a vida no campo, mesmo assim, é gostosa, e é meu sonho e meu destino.

Não, hoje não vou falar sobre as galinhas e o galo vermelho. Lamento.

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Sábado, Agosto 09, 2008

Vistas do Macaúbas

Antes de falar e mostrar algumas vistas que o Macaúbas proporciona, essa aqui embaixo é uma das que mais gosto. No final da tarde, prontos para passar a noite, Florinda (deitada) e o filho da Rikinha, nascido no final de maio.

Ela já comeu um bom bocado de feno, assim que entrou no piquete 'dormitório', e agora só espera a chegada da noite. Mais tarde vai comer de novo, assim como ele, que ainda mama durante algumas horas.




Final de tarde sempre dá imagens bonitas, cores quentes, sensações gostosas.

Lá no fundo ergue-se um morrote, rodeado por cana. A casinha da beira do asfalto, que nesse final de semana começa a ser habitada pelo Tadeu, Fabiana e seus dois filhos, compõe a paisagem com a macaubeira elegante no meio do nosso canavial.

Tadeu saiu do sítio e foi morar na cidade, sonhando com o salário vistoso numa fábrica de embalagens. Só de aluguel passou a pagar mais de duzentos reais, por uma edícula minúscula, sem privacidade. A compra do leite para as crianças passou a consumir cem reais por mês. Mais a conta de água, a de luz e todos os custos que a cidade, mesmo pequena, acarreta para quem nela mora.

Agora vai morar no Macaúbas, de volta pra roça, de volta pra perto de onde moram os pais da Fabiana. A casa é simples, mas bem maior que a da cidade. A água e a luz vão no pacote, além do leite pras crianças. Em troca, ele olhará pelo sítio, simplesmente com sua presença ali. E dará alguns dias de serviço em finais de semana, permitindo folga ao Ismael e ao meu bolso, claro.

Um bom negócio, principalmente para ele, que continuará trabalhando na fábrica de segunda a sexta e um final de semana por mês, com o salário 'de cidade', mas morando na roça, com as economias que a roça proporciona.

De minha parte fico satisfeito, também, por ver a casa ocupada, cumprindo seu papel de ser a base para um lar.





A mesma vista com o morrote, sem a casa, no mesmo fim de tarde, a luz do sol já dourada e comprida.




De alguns lugares do sítio a gente avista, meio longe, o girassol que a usina plantou para fazer rotação com a cana. A vista, ainda que distante, é bonita, mas fica mais bonita com a aproximação da zoom.

No primeiro plano, o verde escuro do laranjal pontilhado pelo amarelo das laranjas. Depois o girassol, e depois milho e cana.

Esse é o verde-amarelo que eu gosto.
Pátria, para mim, é isso.


Posted by Picasa

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Quarta-feira, Agosto 06, 2008

Aleluias!


Dez dias passados no sítio.

Dá pra dizer que começamos, de fato, a preparar nossa ida para lá.

Já não é sem tempo.

Esse período pode ser chamado como o primeiro fato

digno de um ‘aleluia’.

Felizmente, não foi o único.

À parição da Morena, seguiu-se no sábado, dia em que

chegamos, a parição da Albinha. Mais um machinho... O terceiro em seguida (o primeiro foi o da Rikinha).

As duas em suas primeiras crias, ambas sem problemas, felizmente. Essa é uma das grandes vantagens do sangue Jersey: crias pequenininhas, miudinhas, de acordo com

o tamanho futuro dos adultos, e isso é sinônimo, geralmente, de partos tranqüilos. Pena que as três pariram machos, mas, faz parte.

A manhã de segunda-feira corria tranqüila quando, de repente, o Leandro apareceu no curral com uma coisinha nos braços:

a cria da Vitorinha. Sorridente, disse para mim:

- É uma ‘feminha’!

- Aleluia! – exclamei de pronto.

Finalmente, uma bezerra, depois de tantos machos (que até justificaram um post a respeito, para quem está lembrado: “Machismo no Sítio das Macaúbas”). Nos dias que se seguiram ela ficou sem nome, o que não impediu que começasse a se desenvolver como seus irmãos e primos. Pedi sugestão de nome ao Leandro, afinal, foi ele que “achou-a” e deu uma ajudazinha para achar as tetas da mãe e começar a mamar o colostro. Isso nem sempre é necessário, mas quando os bichinhos ficam próximos da gente, a tendência é ficarmos meio apavorados e acabamos por querer apressar a natureza. Tímido, ficou sem jeito e acabou não batizando a bezerrinha no primeiro dia. alguns dias depois, peguei-me olhando a bichinha e pensando em seu batismo. Matuta daqui, matuta dali, de tanto matutar concluí que ela deveria chamar-se Manchinha (por motivos explícitos) ou – sim, por que não? – Aleluia. Todos optaram por Aleluia, e assim tivemos um batizado democrático no Macaúbas. Afinal, democracia é boa e eu gosto.


Outro motivo para um aleluia: desde essa segunda-feira, o Laticínio Nilza, de Ribeirão Preto, está recolhendo nosso leite, dia sim, dia não. O caminhão entra no sítio (tivemos que serrar uns galhos de três árvores... paciência, é o preço do progresso), encosta perto do curral e uma mangueira suga o leite dos galões. O próximo passo, tão logo mais vacas entrem em produção e ultrapassemos de forma consistente os cem litros por dia, será a instalação de um tanque de expansão, que receberá o leite ao invés dos galões plásticos, que ficam armazenados num resfriador de água.




A ‘máquina’ da prefeitura, uma retroescavadeira, foi ao sítio e fez uma senhora curva para retenção das águas das chuvas do próximo verão, impedindo que elas desçam e assoreiem a mina. Eu achei a curva grande demais, roubando-me boa fatia de pasto já escasso, mas alguns vizinhos acharam-na pequena e vaticinaram que as águas irão sobrepujá-la. Bom, o jeito é esperar para ver.

Eu também queria fazer uma lagoa seca, com a esperança que viesse a transformar-se numa lagoa ‘molhada’, cheia d’água o ano inteiro, mas a máquina começou a vazar óleo e o operador foi embora com ela. Pena. Mas ainda espero pela lagoa, assim como as garças que ficaram muito tempo olhando o serviço da grande pá que arrancava blocos de terra, revelando insetos e larvas diversos para a diversão e, principalmente, refeição das alvas espectadoras.

Outro motivo para um sonoro aleluia: choveu!

Depois de longo período, uma chuvinha. Miúda, no domingo, o bastante apenas para jogar fora a poeira e limpar as folhas das árvores. Mas nem tão miúda, pois já deu para observar montículos de terra em alguns pontos, indicando o trabalho de formigas, besouros e outros insetos, limpando suas tocas e túneis, sinalizando que a água, ainda que pouca, penetrou um bocadinho no solo sedento ocupado por plantas idem.

Já na terça-feira, e disso só soube por telefone, choveu bem, chuva de respeito: 12 milímetros. Claro, de respeito considerando que estamos em pleno agosto, um mês sempre muito seco. Portanto, doze maravilhosos milímetros que vieram somar-se a outros três ou quatro do domingo.


A chuva é, literalmente, uma dádiva do céu.



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Quinta-feira, Julho 24, 2008

Do tempo de Cristo




Há algumas semanas esperávamos pelo jantar na casa do César e da Rose, nossos vizinhos de sítio, papeando, eu e Cesar, sobre futebol ou sobre vacas, meus assuntos prediletos, e agora também os dele. Conversa vai, conversa vem, veio uma bela salada de alface para a mesa. A Rose disse que aquela alface era ‘velha’, era alface plantada pela dona Terezinha, usando sementes que veio guardando ano após ano desde há muito tempo. Ao comer, reparei que o sabor era mais intenso, era um sabor que eu conhecia de outros tempos, o gosto de alface era mais pronunciado. De fato, estava comendo uma alface de outros e velhos tempos.

Lembrei-me, como sempre lembro, de uma passagem de “Fazenda Malabar”, hoje e sempre meu livro de cabeceira sobre ser agricultor e criador, escrito por Louis Bromfield, romancista e agricultor americano, que viveu toda a primeira metade do século XX e poucos, pouquíssimos anos da sua segunda metade. Mais de uma vez Bromfield fala de velhas variedades de frutas e vegetais, desenvolvidas muito antes dos modernos tempos das grandes cidades, grandes populações e grandes distâncias a serem percorridas pelos produtos que vão à mesa dos citadinos, exigindo a produção em larga escala, a baixo custo, de produtos desenvolvidos para suportarem transporte e armazenamento sem perda da qualidade aparente. Aparente, sim, pois nesses produtos, já naquela época, era mais importante uma boa aparência para os incautos consumidores urbanos do que, propriamente, qualidades como sabor e textura.

Já nos anos quarenta, quando “Fazenda Malabar” foi escrito, ou seja, há pouco mais de cinqüenta anos, o mercado consumidor começava orientar o produtor para receber produtos mais bonitos, mais vistosos, que antes de irem à boca enchessem os olhos, que por sua vez iriam cuidar de aguçar o desejo em nossos primitivos cérebros.

Os pêssegos estavam na linha de frente das frutas modificadas. Já eram grandes e bonitos, suculentos, sem dúvida, mas de sabor ausente ou quase nulo. As maçãs tampouco haviam escapado à sina do modernismo agrícola, e por essa rota podíamos seguir enumerando outros produtos. Uma coisa era certa: as maçãs Golden Delicious que os americanos comiam estavam a anos-luz da fruta que a serpente deu para Eva, segundo o relato bíblico.

Isso me leva a pensar: tinha tâmaras na Última Ceia?

É provável que sim, é bem provável, pois a tâmara era alimento de grande importância no Oriente Médio da época de Cristo. E aqui vem o porquê dessa crônica hoje.

Entre 1963 e 1965, arqueólogos descobriram diversas sementes numa escavação na fortaleza de Massada, às margens do Mar Morto, que foi destruído pelos romanos no ano 73 de nossa era. Em 2005, algumas das sementes foram identificadas como sendo de tâmaras e foram datadas pelo Carbono 14 como coletadas no período entre 200 a.C. e 25 d.C. São, portanto, sementes de uma tâmara que não mais existe há muitos séculos.

Três delas foram plantadas em vasos e uma germinou, dois mil anos depois de ter sido colhida.

É a planta cuja foto ilustra esse post. A partir de material genético retirado dela, pesquisadores descobriram que ela é diferente de todas as modernas tamareiras existentes. As mais parecidas são as cultivadas no Iraque, e as mais distantes em termos genéticos são, também, as mais distantes geograficamente, cultivadas no Marrocos.

Restam, ainda, alguns anos para essa tamareira atingir sua maturidade – bom, não deixa de ser meio divertido escrever isso sobre uma planta cuja semente já tinha 2.000 anos – e só então os pesquisadores saberão se essa planta é macho ou fêmea. Se for do sexo feminino, será menos difícil conseguir polinizar suas flores com pólen de tamareiras modernas, gerando frutos com características dos antigos, mas não exatamente iguais. O ideal, para a pesquisa, para o conhecimento e – por que não? – para o paladar e o mercado, seria o plantio das outras sementes, obtendo-se mais plantas, entre as quais, com certeza, machos e fêmeas, possibilitando a produção de frutos com dois mil anos de idade.

Possivelmente, frutos idênticos aos que foram consumidos na Última Ceia.

Mas...

Sempre há um ‘mas’, até para produzir tâmaras do tempo de Cristo.

A objeção, nesse caso, parece vir dos arqueólogos que, pelo que pude entender da matéria, não estariam muito dispostos a ceder outras sementes para plantio e precisariam ser convencidos da grandeza desse gesto. Várias grandezas, desde a biológica, agronômica e genética, até a gastronômica, sem falar do valor religioso.

Que “São” Indiana Jones ilumine as mentes dos arqueólogos guardiões das sementes.


Enquanto isso acontece em terras d’além-mar, em breve estarei na casa da dona Terezinha e do seu Alcindo, para uma visita, um café, uns ‘par’ de dedos de prosa e, quem sabe, meia dúzia de sementes de alface das antigas.



A horta do sítio, agora em processo de reconstrução, agradecerá.


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Terça-feira, Julho 22, 2008

Kazumba, Luar, Macaúbas & outras...

... fotos, textos e coisas da roça, no Sítio das Macaúbas.

Onde os dias continuam ensolarados e quentes, mas só ao sol, pois na sombra logo dá frio.
Se os dias são quentes, as noites têm sido ora frias, ora geladas.
Ótimo para as vacas, bezerros inclusive.
Pela manhã, com sete graus cravadinhos, fica difícil levantar do chão quentinho e começar o dia.






Kazumba, ganhando seu primeiro 'banho', minutos depois de vir ao mundo, na manhã de segunda-feira, dia 21 de julho.
Sua mãe é a Morena, filha da Malhada.
Seu pai é o Minuto, cada dia mais imponente e mais Jersey.





O beija-flor-tesoura, morador permanente do Macaúbas, na flor da eritrina, ou eritrina-candelabro, ou, ainda, mulungu.









Luar sobre o Macaúbas...
A cheia já começou a minguar, mas a Lua ainda é imponente, brilhante, iluminando as noites geladas.




Esse montinho embaixo da mangueira não é bem um montinho, é uma porção de capim tifton bem desenvolvido, bem bonito.
Como não foi comido pelas vacas?
Por que está tão grande e viçoso em meio ao rapado geral do restante?

Simples: algumas galinhas dormem nos galhos sobre ele, que recebe, noite após noite, boa carga de esterco que é o melhor adubo que o capim pode querer.
Como toda noite tem mais esterco fresco, as vacas vêm, cheiram e vão embora.
O capim fica, felizmente, pois vamos aproveitá-lo para fazer alguns replantios nas proximidades.






Eis um belo cacho de macaúbas.

O brilho vem da luz do Sol que está se pondo, uma luz dourada, que combina à perfeição com os pequenos cocos.

Logo mais eles estarão no ponto para as maritacas e tucanos comerem.







Florinda, em sua primeira entrada no Olhar Crônico.
Um olhar mais atento verá que ela está com sua pelagem de inverno, mais grossa e quente, necessária para as madrugadas na base de cinco a sete graus.



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